A importância do iodo. Para quê suplementar?

De certeza que já deve ter ouvido a notícia que a Direção-Geral de Saúde lançou uma nova orientação sobre a suplementação diária de iodeto de potássio: “As mulheres em preconceção, grávidas ou a amamentar devem receber um suplemento diário de iodo sob a forma de iodeto de potássio – 150 a 200 µg/dia, desde o período preconcecional, durante toda a gravidez e enquanto durar o aleitamento materno exclusivo, pelo que deverá ser prescrito o medicamento com a substância ativa de iodeto de potássio na dose devidamente ajustada (…)”.

Mas porque é que saiu agora esta nova recomendação? Qual o papel do iodo no nosso organismo? Porquê começar antes de engravidar?

São estas e outras questões que tentarei explicar!

 

Qual a função do iodo no nosso organismo?

O iodo tem como função fundamental a biossíntese das hormonas tiroideias (T3 e T4 – triiodotironina e tiroxina, respetivamente), as quais desempenham um papel muito importante no crescimento e desenvolvimento dos nossos órgãos, e principalmente do cérebro.

 

Que quantidades de iodo são necessárias?

As necessidades de ingestão de iodo, bem como da maioria dos outros micronutrientes, varia ao longo de ciclo de vida.

Para o iodo e, no caso de grávidas e mulheres que estejam a amamentar, a dose diária recomendada, segundo a Organização Mundial de Saúde, atinge os 250 μg/dia (para adultos – homens e mulheres – as recomendações são de 150 μg/dia, e para crianças dos 0 aos 5 anos é de 90 μg/dia).

 

Porque é que é as necessidades aumentam para as grávidas e lactantes?

A ingestão adequada de iodo é ainda mais determinante para mulheres que planeiam engravidar ou que já estejam grávidas ou amamentem, porque o crescimento e desenvolvimento do cérebro é máximo durante período fetal e nos primeiros anos de vida.

Ou seja, no período da preconceção é importante a suplementação para que hajam reservas deste micronutriente logo no início da gestação.

Durante a gravidez a ingestão de iodo deve satisfazer as necessidades da mulher, para a produção das suas próprias hormonas tiroideias que vão ser essenciais para o normal funcionamento do metabolismo da mulher, bem como crescimento e desenvolvimento cerebral do feto e futuro bebé.

Quando a ingestão de iodo é insuficiente pode resultar em inadequado desenvolvimento cognitivo e/ou comportamental e, no caso de uma deficiência grave na ingestão em iodo, cretinismo na criança.

Enquanto estiver a amamentar em exclusivo, o leite materno é a única fonte de iodo a que o bebé terá acesso, pelo que, mais uma vez a mulher deve ingerir quantidades suficientes para as suas necessidades e para as do bebé.

 

E não há alimentos com iodo?

Claro que há alimentos que são boas fontes de iodo: as algas, peixe, leite e derivados e alguns hortícolas.

No entanto, a quantidade de iodo presente nos vários alimentos é muito variável, dependendo de vários fatores, pelo que é difícil estimar o aporte de iodo através da alimentação.

 

E a suplementação é mesmo importante? Porque é que surgiu esta recomendação agora?

Sim!

Além das grávidas e lactantes serem um grupo de risco para a carência de iodo, há já alguns estudos – destaca-se o estudo de Limbert E. que abrangeu mais de 3000 grávidas e 17 maternidades em todo o país -que demonstram que as grávidas e lactantes têm uma ingestão insuficiente de iodo em Portugal.

Mas claro que esta suplementação deverá ser sempre aconselhada pelo seu médico e, no caso de ter alguma patologia da tiroide este suplemento pode estar contraindicado.

Nunca se esqueça “de forma a contribuir para a ingestão apropriada de iodo há, naturalmente, que assegurar uma alimentação variada, incluindo alimentos que, habitualmente, são fontes de iodo, em  particular: pescado, leguminosas e hortícolas e, ainda, leite e outros produtos lácteos. Recomenda-se, também, a substituição do sal comum por sal iodado.” (Direção Geral de Saúde, 26/08/2013)

 

Publicado a 29 de agosto de 2013

FAO, WHO. (2005) Vitamin and Mineral Requirements in Human. Nutrition, 2nd ed. Geneva: World Health Organization, Retrieved from: Who.int

Mahan, L. H., & Escott-Stump, S. (2008). Krause’s Food & Nutrition Therapy (12th ed.). Canada: Saunders Elsevier.

Limbert et al. Iodine Intake in Portuguese Pregnant Women: Results of a Countrywide Study. Eur J Endocrinol 2010; 163: 631-635.

Orientação da Direção-Geral da Saúde, Nº: 011/2013. (2013). Aporte de iodo em mulheres na preconceção, gravidez e amamentação. Retrieved from: Portaldasaude.pt

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