A reação do pai à gravidez

“Querido, estou grávida!…”

A gravidez e o nascimento de um filho, principalmente quando programada, é vista como um momento de grande alegria e felicidade extrema.

No entanto, fala-se muito pouco dos sentimentos contraditórios que podem surgir no casal, mesmo que inconsciente e involuntariamente. Há casais que passam por sérias dificuldades no seu relacionamento durante a gravidez e após o nascimento do bebé, precisamente na altura em que deveriam estar mais unidos.

 

Mas porque é que isso acontece?  É normal?  É verdade que o pai “rejeita “o bebé?

Então vamos lá!

O casal está à espera de um filho e está, obviamente, feliz! No entanto, a mulher passa a ser o centro de todas as atenções – cuida do seu corpo, da sua alimentação, da sua saúde, da sua mala da maternidade, - a par do novo bebé que vem a caminho – trata do enxoval do bebé, do quarto do bebé, chá de fraldas para o bebé, etc, etc, etc,…

E o companheiro e pai do bebé? Como fica? Onde fica?

Mesmo que esteja feliz, (porque está!) ao lado da companheira e a viver todos os preparativos ativamente, é uma altura em que o homem está muito ansioso e preocupado. Mas, sem se aperceber a mulher, ao virar todas as atenções para o bebé e para ela própria, pode fazer com que o seu companheiro passe a sentir o bebé como um intruso na sua relação enquanto casal.

É normal que o homem se sinta de fora, quase como um ator secundário. O pai sente-se excluído como consequência  de uma série de mudanças externas e internas ao casal. Assim, para o homem e futuro pai o período da gravidez é marcado por sentimentos de alegria, ansiedade e vários conflitos.

Em geral a primeira gravidez é pior para o pai.

 

Como aliviar o stress e os sentimentos de exclusão?

É importante incluir o pai nos preparativos do nascimento do bebé:

  • Encorajá-lo a ajudar na escolha do enxoval, do nome;
  • Pedir a sua contribuição na decoração do quarto do bebé;
  • Tentar que ele acompanhe a mulher nas consultas de pré-natal;
  • Estimulá-lo a fazer carinhos e conversar com o bebé, ainda na barriga.

Desta forma, ele vai sentir-se como parte da gravidez, como um todo. Afinal, são uma família!

Na maternidade, a presença do companheiro como acompanhante durante o parto, bem como no internamento e a sua inclusão nos primeiros cuidados com o recém-nascido aumenta e fortalece ainda mais o vínculo de pai, e ajuda nesta transição.

Assim, logo logo ele estará a trocar as fraldas, a dar o banho e a participar ativamente na rotina e nos cuidados do bebé e o stress e insegurança iniciais vão acabar por desaparecer.

Publicado a 5 de setembro de 2014

KROB, Adriane Diehl; PICCININI, Cesar Augusto; SILVA, Milena da Rosa. Transición hacia la paternidad: de la gestación al segundo mes de vida del bebé. Psicol. USP, São Paulo , v. 20, n. 2, jun. 2009. Retrieved from: Psicologia USP

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