Bancos Familiares e Bancos Públicos de Sangue do Cordão Umbilical – Porque faz sentido a sua co-existência

Doutora Carla Cardoso

Cedida por: Crioestaminal

A co‑existência de bancos públicos e familiares de armazenamento das células estaminais do sangue do cordão umbilical, colhidas no momento do parto, é uma realidade na maioria dos países desenvolvidos, onde estas duas estruturas se complementam. Quando se opta por fazer a criopreservação das células estaminais é importante perceber que há diferenças entre bancos públicos e bancos familiares.

Nos bancos familiares são armazenadas amostras de sangue do cordão umbilical (SCU) para uso no próprio (utilização autóloga) ou em familiares compatíveis (utilização alogénica relacionada), enquanto nos bancos públicos são guardadas amostras de SCU, doadas pelos pais, para serem utilizadas em transplantes alogénicos (nos quais o dador das células é diferente do receptor). A opção entre um transplante autólogo ou alogénico depende essencialmente da doença em causa. Em casos como deficiências medulares e tumores sólidos, faz‑se recurso, sempre que possível, às células estaminais do próprio paciente, porque as amostras são 100% compatíveis e não existe risco de rejeição. Em situações de leucemias ou doenças metabólicas opta-se pela utilização de células de um dador, preferivelmente de um dador compatível no seio familiar, pois aumenta a probabilidade de sucesso do transplante. Nos bancos familiares, grande parte das amostras de SCU libertadas é para utilização entre irmãos, pois é entre irmãos que é mais fácil encontrar um dador com a compatibilidade necessária para transplante. Entre irmãos, a probabilidade de compatibilidade total é de 25%. Caso não seja possível encontrar uma amostra de SCU compatível no seio familiar, o doente poderá ter acesso a uma amostra compatível de um banco público.

No que diz respeito aos custos, os bancos familiares cobram aos pais pela aquisição do kit de colheita do cordão umbilical e pela subscrição do serviço de criopreservação, até 25 anos. O serviço prestado pelo banco público é suportado por fundos públicos, não sendo cobrado qualquer valor aos pais que optam por doar o sangue do cordão umbilical dos seus filhos.

Nos bancos públicos, as amostras de SCU não ficam reservadas nem para a criança, nem para a sua família e destinam‑se a ser usadas em quem quer que delas necessite. Neste caso, a família não terá conhecimento do fim dado à amostra que doou. Ao doar a amostra de SCU, os pais renunciam a todos os direitos sobre as células e concordam com a sua disponibilização para qualquer pessoa. As amostras que não cumpram os requisitos impostos pelos bancos públicos podem ser descartadas ou doadas para investigação. Para além disso, nos bancos públicos é apenas possível armazenar um número limitado de amostras, sendo criopreservadas amostras representativas das características da população a que se destinam.

Não estando interessado em guardar as células só para si e/ou para a sua família, será uma boa opção doar a amostra ao banco público. Bancos públicos e familiares podem existir conjuntamente sendo mesmo complementares, como tem sido demonstrado em vários países onde ambos co‑existem, inclusive dentro da mesma estrutura, respondendo a necessidades diferentes.

Publicado a 22 de abril de 2015