Crescimento da criança

À medida que a criança cresce, esta surpreende-nos com a sua evolução física e intelectual.

São impressionantes as conquistas dos primeiros meses e anos de vida, ao longo dos quais o recém-nascido se transforma numa criança autónoma. De facto, os dias vão passando e as mudanças surgem originando os designados fenómenos de crescimento e desenvolvimento.

Enquanto as crianças crescem as suas dimensões externas modificam-se. Estas são acompanhadas de alterações correspondentes na estrutura e função dos órgãos e tecidos internos que refletem a aquisição gradativa de capacidades fisiológicas.

Cada região do corpo apresenta o seu próprio ritmo de crescimento. Assim, o princípio geral do crescimento descreve-o como a evolução do corpo físico devido ao aumento das células em tamanho ou em número. Este inicia-se aquando da fecundação e só estabiliza no final da adolescência.

No recém-nascido as extremidades inferiores constituem 1/3 do comprimento total do corpo, porém apenas 15% do peso corporal total ao contrário do adulto onde as extremidades inferiores representam a metade do comprimento total e 30% ou mais do peso corporal total.

Desta forma, à medida que o crescimento progride, o ponto médio entre a cabeça e o pé desce, gradualmente, de um nível quase localizado no umbigo, após o nascimento, até ao nível da cintura, no adulto.

O crescimento linear, também denominado também de altura, ocorre quase totalmente como resultado do crescimento esquelético e é considerado uma medida estável do crescimento geral. Contudo, o crescimento em altura não é uniforme durante a vida cessando quando se completa a maturação do esqueleto.

Ao nascer o peso é mais variável do que o comprimento e, em grande parte, reflete o ambiente intrauterino no qual a criança se desenvolveu. Geralmente o bebé pesa entre 3175g a 3400g. O peso de nascimento duplica aos cinco/seis meses e triplica no final do primeiro ano. No fim do segundo ano, em regra, o ritmo “normal” de ganho ponderal, assim, como o crescimento em altura, passa a acarretar um aumento anual regular de aproximadamente 2 a 2,75 Kg, até que o adolescente tenha o estirão de crescimento.

As medidas de crescimento devem ser registadas periodicamente em gráficos padronizados de crescimento (percentis) de modo a determinar o padrão de crescimento e comparar a criança em exame com as normas para a faixa etária em questão.  Os Boletins de Saúde Infantil contêm os gráficos de crescimento que utilizam o 5 e o 95 percentis como critério para determinar se as crianças se encontram fora dos limites normais de crescimento, sendo o percentil 50 considerado como representativo da normalidade. Isto significa que em regra as crianças que se encontram num peso ou altura abaixo do percentil 5, são consideradas de baixo peso ou baixa estatura; aquelas cujo peso e altura se encontram acima do percentil 95 são consideradas com excesso de peso ou elevada estatura.

No entanto, importa ressalvar que a avaliação do crescimento requer discernimento para a interpretação dos percentis de crescimento. As crianças que se encontram fora dos limites considerados normais, tanto em peso, como altura, podem não ser “anormais”, mas apenas refletir uma tendência genética para serem grandes ou pequenas. É essencial a comparação dos seus dados de crescimento com o dos seus pais e irmãos.

As crianças cujo crescimento podem ser questionado incluem:

  • Aquelas que apresentam ampla discordância entre os percentis de peso e altura
  • As que não apresentam ganho esperado em peso e altura, especialmente durante os períodos de crescimento rápido
  • As que apresentam um súbito aumento ou redução no seu padrão de crescimento anteriormente regular e que seja inadequado para a sua idade

Como o crescimento é um processo dinâmico, contínuo e irregular, a avaliação mais confiável baseia-se na comparação de dados da própria criança, durante um período prolongado.

Publicado a 6 de maio de 2014

HOCKENBERRY, Marilyn;WILSON; WINKELSTEIN – Wong, Fundamentos de Enfermagem Pediátrica. 7ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier Editora, 2006

Dgs.pt

Veja o que a nossa comunidade está a dizer sobre este tema e comente! Comentar