Etapas do parto normal

Com a chegada do dia do nascimento do filhote, são muitas as mães que ficam curiosas sobre como será o parto. Pois bem, depois da chegada à maternidade e de alguns exames de rotina feitos pela enfermeira segue-se efetivamente todo o parto. O parto propriamente dito pode ser subdividido em 4 etapas:

  • Etapa 1: Dilatação

Naturalmente, quando chega a hora H, o que começa por acontecer é a dilatação do colo do útero e, consequentemente, as tão conhecidas contrações uterinas.

Quando se aproxima do fim do tempo e a mãe ainda não entrou em trabalho de parto o médico pode optar por induzir o parto recorrendo a medicamentos, de forma a estimular o início das contrações, bem como a dilatação do colo do útero. Esta opção é sempre feita em ambiente hospitalar e com cuidadosa monitorização do feto e da parturiente.

A progressão desta etapa está associada à regularidade e intensidade das contrações uterinas: considera-se o início do trabalho de parto quando têm uma frequência de 10 minutos e duração superior a 20 segundos. As contrações podem ser percebidas pela dor e pelo endurecimento da barriga.

Geralmente, pela mesma altura, ocorre a saída do tampão mucoso pela vagina (uma secreção espessa branco-avermelhada).

A dilatação é verificada quando o médico (ou a parteira) faz o exame de toque vaginal e confirma a abertura do orifício do colo do útero.

Para que o bebé possa nascer por parto normal, ele deverá ter descido e encaixar a cabecinha na pelve materna. Consequentemente o bebé pressiona o colo do útero, que vai dilatando cada vez mais e ficando mais fino.

Se a bolsa continuar por rebentar até ao momento da dilatação completa, o médico deverá optar por rompê-la, facilitando assim a progressão do parto.

As contrações vão aumentando a intensidade e diminuindo a frequência com o decorrer do tempo, até o bebé estar devidamente posicionado e “pronto” para a expulsão.

Esta fase pode durar várias horas e costuma ser mais longa nas mulheres em trabalho de parto pela primeira vez.

Durante a dilatação as suas dores poderão ser aliviadas de diversas formas: exercícios respiratórios, técnicas de relaxamento, com a presença de alguém da sua confiança e anestesia.

  • Etapa 2: Expulsão

Nesta fase as contrações têm uma frequência de 1 minuto e duram cerca de 60 segundos ou mais.

É normal sentir uma vontade súbita de evacuar ou de fazer força para expulsar o bebé: os “puxões”. Esta sensação é uma consequência natural da contração dos músculos abdominais e do aumento da pressão dentro da barriga, com o objetivo de empurrar o bebé pelo canal de parto.

A anestesia pode tirar a sensação do “puxo”, por isso é muito importante que colabore e faça o máximo de força possível no momento das contrações, mesmo que não sinta aquela necessidade de puxar.

Geralmente esta fase é mais rápida. Aproximadamente depois de 30 minutos de “puxões” espera-se que a cabecinha do bebé comece a sair pela vagina; apesar de em algumas situações poder durar até 2 horas.

Nos casos em que o médico verifique resistência ou maior dificuldade da saída da cabeça do bebé é normal que faça um corte no períneo (região que começa na parte inferior da vulva e se estende até ao ânus) – a chamada episiotomia. Depois da episiotomia, a cabecinha do bebé irá aparecer quase imediatamente.

Depois de a cabeça estar cá fora, o médico (ou parteira) deverá verificar como se encontra o cordão umbilical e, com os devidos cuidados, todo o corpinho do seu filhote estará cá fora. Posteriormente procede-se ao corte do cordão umbilical.

  • Etapa 3 – Expulsão da placenta

Após a saída do bebé e o corte do cordão umbilical, chega a altura da saída, ou expulsão, da placenta. O útero continua com algumas contrações as quais, provavelmente, já nem irá sentir ou apenas sentirá como cólicas – nada como as contrações sentidas no início do parto. A placenta desprende-se da parede interna do útero e sai pela vagina.

Após a expulsão da placenta, o médico (ou parteira) verifica o canal do parto e confirma a presença, ou não, de lacerações; faz a sutura da episiotomia, caso tenha sido necessária, e observa a estabilidade clínica da mulher. Se desejar saber mais sobre episiotomias e lacerações leia aqui.

Durante esta etapa, a mãe e o bebé poderão estar juntos e começar, desde logo, a criar a ligação.

Publicado a 1 de outubro de 2012 / Atualizado a 20 de março de 2013

Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia. Assistência ao Trabalho de Parto. Projeto Diretrizes. 2001:1-7.

J Resende - Manual de Obstetrícia, 1991 - Guanabara Koogan Rio de Janeiro

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