O dia do Pai está a chegar

Texto de opinião

Ser mãe é padecer no paraíso. Uma frase um tanto insólita para a maternidade. Padecer é sofrer, ser atormentada, ser incomodada… Ao mesmo tempo, no paraíso… No lugar perfeito, envolto no amor e na felicidade plena da maternidade.

Ser mãe então é viver um lindo momento, atormentada pelo cansaço, pelas noites mal dormidas, pelas horas e horas em pé tentado mimar o rebento!

Isso me faz pensar, e qual o valor de ser pai?

Pai não tem frase pronta, não tem ditado popular que brinca com as emoções, quase nem tem licença de paternidade…

Os dias contados são aqueles necessários apenas para a mãe sair da cama, se sentir mais segura e cuidar da nova cria. Mas licença mesmo, passar semanas e semanas com o seu filhotinho que acabou de nascer, nada… Nem a lei ajuda a paternidade… pode isso?!

Não quero entrar no discurso que não existe mãe sem pai, seja ele apenas biológico, apenas natural ou apenas pai.

Por definição popular: pai é quem cria. O ditado sobre a paternidade é diferente da maternidade, tem uma pontinha de ironia, mas é a frase mais verdadeira sobre o tema. Ser pai é criar.

Criar é amar incondicionalmente, ajudar interminavelmente, estar disponível eternamente, estar ali, aPAIxonadamente.

É isso, essa é a origem correta do substantivo PAI: PAIxão. É assim que os pais devem ser lembrados: como aPAIxonados.

A paixão é bem parecida com a paternidade. É intensa e arrebatadora!

A paternidade nasce de repente. Diferente da gestação, a paternidade acontece em um minuto, pois a gestação paterna é sentida de forma diferente, mais lenta, menos intensa… Afinal eles não mexem dentro de nós, não sentimos enjôo, não temos desejos… Sentimos de forma mais distante a gravidez.

Não quero aqui dizer que isso significa menos amor ou intensidade…apenas maior distância para a sensação de “grávidos”.

"Amor puro! Na veia! Nas artérias! E na vida!!!!!!", Ricardo Cabral

“Amor puro! Na veia! Nas artérias! E na vida!!!!!!”, Ricardo Cabral

Mas, subitamente, nasce. Cai a ficha, a informação se conecta, a expectativa se concretiza, o abstrato se transforma. Nasce a paternidade, surge a PAIxão, nasce o PAIzão.

Este sujeito que dá banho desajeitadamente, que não amamenta, e nem sempre consegue fazer arrotar. Normalmente, este sujeito nem mesmo troca fraldas, mas não é por falta de jeito, mas por conhecer suas limitações extremas e tem medo de machucar essas coisinhas indefessas por quem nos aPAIxonamos…

Felizmente, estas limitações motoras não nos impedem de amar apaixonadamente, de ultrapassar os limites da doação, de dedicar-se infinitamente. Afinal, somos PAIS.

Nem mesmo interessa a idade do nosso filho no dia no nascimento, pode ter vários anos ou apenas dias e segundos…

Seremos PAIS a partir deste dia, para sempre, APAIXONADAMENTE.

Publicado a 17 de março de 2014

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