O potencial das células estaminais do tecido do cordão umbilical

Texto de Doutora Teresa Matos

Cedida por Crioestaminal

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O cordão umbilical como fonte de células estaminais

O cordão umbilical, um tecido que foi durante muito tempo apenas considerado um excedente do parto, actualmente é visto como uma fonte de células estaminais com um potencial terapêutico inestimável. Por um lado, o sangue que se encontra no interior do cordão umbilical é rico em células que permitem originar todos os elementos do sistema sanguíneo e imunitário, e por outro, o tecido contém células estaminais com capacidade para dar origem a células de diferentes tecidos.

 

Diferenças entre as células estaminais do sangue e do tecido do cordão umbilical

A capacidade das células estaminais do sangue do cordão de originar as células do sistema sanguíneo e imunitário confere-lhes o potencial de serem utilizadas para tratar doenças sanguíneas e imunológicas, como por exemplo anemias, leucemias e imunodeficiências e doenças metabólicas.

O tecido do cordão umbilical é rico num outro tipo de células – as células estaminais mesenquimais. A par do seu potencial para originar diferentes tipos de células, como por exemplo células dos músculos, dos ossos, da cartilagem, e da gordura, estas células têm capacidade imunomoduladora, isto é, capacidade de regular a resposta imunitária o que pode ter um papel importante no tratamento de doenças auto-imunes e para além disso pode permitir aumentar a taxa de sucesso em transplantes em que o dador e o receptor são 2 indivíduos distintos. Nestes casos, as células do sangue e do tecido do cordão podem ser transplantadas em paralelo.

Estes dois tipos de células com características tão distintas possuem, por isso, potencial para serem aplicados em áreas diferentes da medicina.

 

Aplicações e potencial terapêutico das células estaminaismesenquimais

As células estaminais mesenquimais, representam uma das maiores esperanças da medicina regenerativa a nível mundial.

O potencial destas células está actualmente em estudo, com mais de 300 ensaios clínicos aprovados (aplicação de terapias em humanos a título experimental) em doenças como a diabetes, colite ulcerosa, cirrose hepática, cardiomiopatias, esclerose múltipla, Lupus, doença do enxerto contra o hospedeiro e distrofia muscular de Duchenne, entre outras. Muitos destes ensaios clínicos encontram-se ainda numa fase inicial, mas alguns já apresentam resultados preliminares promissores.

Num contexto mais experimental, as células estaminais mesenquimais estão também a ser utilizadas em investigação laboratorial, em várias áreas tais como regeneração celular (para doenças tais como Alzheimer, Parkinson, lesões da espinal medula, fracturas ósseas), engenharia de tecido (para obtenção de tecidos e órgãos), terapia génica (para substituição de genes defeituosos) e imunorregulação (para doenças tais como doença de Crohn, diabetes, esclerose múltipla)

 

Vantagens das células mesenquimais provenientes do tecido do cordão umbilical

As células mesenquimais podem ser isoladas a partir de vários tecidos, tais como medula óssea, tecido adiposo, sangue do cordão umbilical e tecido do cordão umbilical.

Contudo, o tecido do cordão umbilical apresenta diversas vantagens quando comparado com as outras fontes. A sua colheita é fácil e sem riscos, apresenta um maior número de células, com maior potencial de diferenciação e proliferação. As células mesenquimais do tecido do cordão umbilical apresentam ainda um menor risco de infecção por agentes virais e bactérias.

Em resumo, os resultados dos estudos com células mesenquimais do cordão sugerem que no futuro estas células poderão vir a ser usadas no tratamento de um conjunto alargado de doenças.

Publicado a 4 de julho de 2014

Cardoso, et al., (2012) Recentes evoluções na área das células estaminais neonatais do sangue e tecido do cordão umbilical. Revista da Associação Portuguesa dos Enfermeiros Obstetras N.º 12/2012

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Clinicaltrials.gov

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