Quando eu engravidei

A propósito do texto que publicamos sobre “A reação do pai à gravidez“, a C. decidiu escrever-nos a sua história. Quis partilhar com todas as mamãs a experiência, como  foi a reação do pai com a notícia da gravidez e como ela lidou com tudo.

Obrigada querida C. e muitas felicidades!

 

Quando eu engravidei

“Desde os meus 18 anos que o meu sonho foi ser mãe mas sabia que o dia que decidisse sê-lo poderia ser difícil pois tinha um problema hormonal que dificultava a minha ovulação e desregulava a menstruação, assim para que fosse regulada eu usava um contraceptivo.

Conheci o pai da minha filha com 22 anos e fazíamos 2 anos de namoro em Agosto. Ele era uma pessoa especial, muito meigo, cavalheiro, sorridente… Era uma pessoa que parecia fazer tudo pela nossa relação até ao dia que decidiu que devia emigrar, e, ainda assim, era uma pessoa presente e um excelente companheiro.

Descobri que estava grávida em fevereiro de 2014, tinha 6 semanas. Senti uma enorme felicidade acompanhada de medo, medo porque o pai não iria querer o bebé. Tinha os seus planos para viajar e sentia-se muito jovem, não queria perder a juventude nem limitar a sua vida, que ainda não considerava estável para esse passo.

Embora não fosse planeada a gravidez nós éramos os dois contra o aborto mas ele cegou e só queria que eu o fizesse. Conversámos, eu expliquei que poderia não conseguir ter filhos se abortasse, disse que era contra por todas as minhas questões físicas e espirituais mas ele, mesmo sendo contra, pediu encarecidamente para que o fizesse.

Eu passei talvez o mês e meio mais difícil da minha vida, tinha de decidir o que fazer ponderando todas as as hipóteses e aceitando todas as consequências e foi aí que tive a certeza de que não havia uma escolha, havia um passo a ser dado: Manter o meu bebé e enfrentar todas as marés que viessem contra isso!

Infelizmente nós nos separamos e eu decidi ir sozinha até ao fim. Tive o maior apoio dos meus amigos e da minha família e não me arrependo nem um segundo de nada, se pudesse voltar atrás a única coisa que mudava era a minha atitude perante ele, teria sido mais rija! Depois disto ele aceitou a situação, deu-me apoio psicológico e até me acompanhou às consultas até ir embora.

Senti-me sozinha, queria que ele estivesse aqui nos pontapés, queria que ele estivesse aqui nos momentos que precisava de um ombro… Senti que a família dele ficou contra a situação, que até tenha pensado que fiz de propósito mas superei tudo e hoje mostrei com a minha dignidade que sou independente, mãe solteira com orgulho e uma mulher muito feliz e realizada!

Cedida por C.

Cedida por C.

Neste momento encontro-me com quase 35 semanas de gravidez, o pai da minha menina parece estar apaixonado por ela e estamos ansiosos para que ela nasça! Acho que não estaria com ele hoje ainda que tivesse feito o que ele queria porque ele não iria desistir dos sonhos dele por mim, como não o fez. Não voltámos entretanto, mesmo porque ele esteve fora de ha 3 meses até agora e nem faço ideia do que irá acontecer depois do nascimento da princesa mas independentemente do veredicto final, aqui fica uma palavra de incentivo a todas as mamãs que estejam nesta situação: Não desistir dos nossos objectivos, viver os sonhos sem medos e ter fé em Deus. O que tiver de ser nosso vai ser!”

Publicado a 12 de setembro de 2014

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