Um novo bebé: rivalidade entre irmãos

O ciúme da criança relativamente a irmãos quando os pais desviam a sua atenção para interagir com elas é chamada de rivalidade entre irmãos e é mais evidente no primeiro filho que experimenta esta nova situação ou em crianças mais novas.

A forma como a criança mostra o ciúme é complicada. Algumas intencionalmente batem no bebé, empurram-no para o colo da mãe, mordem ou retiram-lhe o biberão. Outras podem ter demonstrações impercetíveis desejando que o bebé desapareça ou ter comportamentos de regressão.

A regressão é comum na criança entre 1 a 3 anos e representa a necessidade de voltar a formas antigas de comportamento tais como recusar-se a usar o “pote”, pedir o biberão, perder habilidades motoras, linguísticas ou cognitivas já adquiridas.

No início a regressão pode ser um comportamento aceitável e confortável para a criança, mas a perda de algumas competências que já tinham sido adquiridas é assustadora e ameaçadora para os cuidadores. É normal que os pais fiquem preocupados com o comportamento regressivo e normalmente os seus esforços para lidar com a regressão potenciam esse comportamento na criança.

Nestas situações o melhor comportamento é ignorar a regressão e elogiar a criança pelo comportamento quando adequado. É aconselhável não tentar novas áreas de aprendizagem em plena crise.

De facto, um novo irmão em casa é stressante para a criança e ela ressente-se, já que o foco da atenção dos pais não é apenas ela, por isso esta deve ser preparada com antecedência e realismo de forma a minimizar a rivalidade entre irmãos.

Ficam alguns conselhos para melhorar uma relação entre irmãos:

  • Valorizar e elogiar o filho mais velho, quando o mais novo, devido à sua idade, necessita maior atenção;
  • Promover, ao longo do crescimento dos filhos, espaços de convívio e atividades conjuntas que irão reforçar a relação entre irmãos, com amizade e cooperação;
  • Valorizar a diferença entre os irmãos para que as crianças se sintam bem com as suas características;
  • Não tomar partido nas divergências entre irmãos;
  • Incentivar os filhos a procurar estratégias de resolução dos conflitos;
  • Se uma rivalidade está a ser excessiva, os pais devem definir os limites e intervir como mediadores, promovendo a partilha de pontos de vista e emoções; e
  • Não fazer comparações entre irmãos.

 

Apesar de ser uma situação muito stressante e de desespero para alguns pais e se as sugestões acima apresentadas surtirem pouco efeito, pense que a literatura revela que a maioria dos filhos acabam sempre por agradecer aos pais o facto de lhe terem dado um irmão.

Publicado a 26 de setembro de 2014

HOCKENBERRY, M.; WILSON; WINKELSTEIN – Wong, Fundamentos de Enfermagem Pediátrica. 7ª Ed. Rio de Janeiro: Elsevier Editora, 2006

BARROS, J. - Psicologia da Educação Familiar. Livraria Almedina, 1994

RELVAS, A. - O Ciclo Vital da Família – Perspetiva Sistémica. Ed. Afrontamento, 1996

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